A arte de contar histórias – 20 de fevereiro dia do contador de histórias

por | fev 24, 2023 | Atividades, Pedagogia, Sem categoria | 0 Comentários

A contação de história sempre me traz para um lugar de muito afeto, toda vez que paro para falar sobre o assunto, acabo me transportando lá para o início dos anos noventa. Se eu fechar os olhos, ainda sinto o cheiro da sopa de legumes cozinhando na panela de pressão e consigo enxergar direitinho o meu cadeirão entre as cadeiras de madeira da mesa da cozinha. É “ali”, entre um comercial e outro da programação infantil da T.V. aberta, que mora a minha maior memória sobre histórias contadas.

Sempre fui uma criança difícil de comer, minha mãe, mãe de primeira viagem, preocupada com sua cria magricela, tentava de tudo: Médicos, xaropes que abriam o apetite, vitaminas de personagens famosos, comidas em diferentes formatos… Nada parecia adiantar, até que ela começou a me contar histórias.

Não sei ao certo qual foi a primeira história que escutei naqueles intermináveis almoços, mas lembro exatamente de quando nasceu “Espafregunda”; uma menina magricela que não gostava de comer (ora, ora, quanta coincidência).

Entre uma colherada e outra, da sopa que antes estava na pressão, a voz da minha mãe me transportava para o universo desta personagem, que queria brincar mas não tinha forças, por não ter comido. Ela ia à praia, ao parque de diversões, ia viajar para o sítio, para a escola. Cada dia, a minha companheira de almoço, se aventurava em um novo contexto.

Não me lembro ao certo se a personagem me fazia abrir a boca e comer uma colherada cheia da sopa de legumes, mas lembro de aguardar ansiosa o momento da refeição para ouvir mais uma aventura da minha companheira.

Ela estava presente nas refeições cotidianas, nos almoços de família, noites de Natal e às vezes, ela fugia da mesa e vinha até o quarto me fazer dormir.

Cresci ouvindo as histórias da “Espafregunda”, todo mundo em casa sabia quem era ela e quais eram seus passeios favoritos. Avós, tias, primas, todos! E todos reproduziam suas aventuras. A minha companheira virou uma tradição que acompanhava o almoço de todas as crianças de casa.

E por isso compartilho aqui, hoje, um pouquinho da minha história para homenagear quem conta histórias. Quem através da fala, contextos, vozes e enredos; proporciona que o outro crie um universo inteiro dentro de si, estimulando o imaginário e criando memórias.

Feliz dia para quem conta histórias, feliz dia para quem encanta com histórias. Mas feliz mesmo é quem pode ser tocado por uma história contada.

 Texto escrito por Fernanda Raluy, Coordenadora de Operações, Pedagoga e Contadora de histórias