Simone Machado

Colaboração para Universa, em São José do Rio Preto (SP)

03/08/2022 04h00

Filippo de Castro Morgado, de 5 anos, é o mais recente estudante brasileiro a ser aceito na Mensa Internacional —sociedade britânica fundada em 1946 que reúne pessoas de alto QI no mundo. O menino, que mora na capital paulista, tem um QI de 134 —a média brasileira é de 87.

O mais novo integrante do seleto clube fala inglês fluentemente desde os 3 anos —aprendeu sozinho, assistindo a desenhos animados. Apaixonado por números, sabe todas as operações matemáticas, resolve problemas com números complexos e raiz quadrada e ama jogos de raciocínio lógico.

São habilidades impressionantes, mas a mãe dele, a jornalista Roberta de Castro, conta que o diagnóstico de superdotação veio acompanhado de angústias. “Ele sempre foi uma criança que chamava a atenção pela inteligência. Um dia, estávamos no estacionamento do prédio onde moramos e ele começou a ler todas as placas dos carros. Ele tinha 2 anos e ainda não era alfabetizado”, lembra. “Quando descobrimos a superdotação, no ano passado, imediatamente comecei a procurar lugares onde ele pudesse se desenvolver com qualidade e pedi ajuda. Não tenho condição financeira de arcar com uma escola.” Duas instituições ofereceram bolsa ao menino e hoje ele frequenta uma escola trilíngue, com metodologia de aprendizagem ativa, o que ajudou a tornar a rotina mais tranquila. “Ele precisa de estímulos, senão se sente frustrado por não estar aprendendo coisas novas”, afirma. “Quando um superdotado vai para uma escola comum, acaba não querendo ficar, porque se sente entediado ou pode ser considerado hiperativo ou bagunceiro, já que termina as atividades em sala muito rápido.” A ideia, diz ela, é que ele desenvolva seus pontos de maior habilidade, sem deixar de trabalhar a adaptação emocional, educação coletiva e convívio social com os colegas. “Ele frequenta uma sala de aula comum, com diversas outras crianças. Mas, em alguns momentos, uma professora senta-se com ele e passa exercícios mais aprofundados para estimulá-lo durante a atividade.” Duas vezes por semana, ele ainda faz aulas complementares em casa. Mas antes de Filippo fazer o teste que comprova a superdotação, Roberta lembra que era difícil achar respostas. “Conheço mães que levaram os filhos superdotados ao pediatra e os médicos receitaram floral para acalmar a criança, em vez de ajudar com estímulos”, diz. Para ajudar mães de crianças com QI acima da média, ela então criou um grupo de WhatsApp para troca de informações e indicação de profissionais adequados. “Convido profissionais de diversas áreas para ficar alguns dias ou semanas no grupo do WhatsApp sanando as dúvidas dessas famílias e ajudando a direcionar essas crianças. Atualmente, temos neuropediatra, psicólogo, psicopedagoga, neuropsicólogo e pediatras que auxiliam as 100 famílias no grupo”, diz. Como saber se a criança é superdotada? A facilidade e a velocidade de aprendizado de Filippo sempre chamaram a atenção. Quando ele tinha 4 anos e 7 meses, ele fez o teste de QI com a metodologia do Son-R (não verbal) — utilizada para crianças a partir de dois anos. A neuropsicóloga, no entanto, resolveu aplicar também o Wisc IV para entender melhor do caso, ainda que ele deva ser feito por crianças acima de 6 anos. Com isso, veio a avaliação de que o menino se destacava excepcionalmente em memória, aritmética e raciocínio lógico —os resultados seriam compatíveis com o de uma criança de 7 anos e 8 meses.

Roberta então decidiu encaminhar os laudos para avaliação da Mensa Internacional. Para a surpresa dela, Filippo foi aprovado. Outras crianças brasileiras Mais duas crianças brasileiras já entraram para o Mensa: o paulistano Gustavo Saldanha, 8 anos, com QI de 140, e o fluminense Romeu Gutvilen, de 7 anos, com QI de 138. Mas ao todo 2.000 brasileiros estão associados ao clube dos superdotados. Até o ano passado, apenas pessoas com mais de 18 anos eram aceitas na Mensa Brasil, por isso, pais de crianças superdotadas submetiam os testes à associação internacional. Em setembro de 2011, foi a primeira vez que uma criança foi aceita. Desde então, são 56 menores de 18 anos associados.

“Muita gente me pergunta qual a vantagem de fazer parte da Mensa. O primeiro ponto é a questão do autoconhecimento, já que consegue trabalhar melhor suas habilidades e evoluir. No caso dos adultos, é uma oportunidade de ampliar sua rede de contatos e fazer o seu desenvolvimento profissional e pessoal com informações mais precisas”, diz Rodrigo Sauaia, presidente da Mensa Brasil.

Entenda a classificação do QI da Mensa International:
Gênio – acima de 144 pontos Superdotado – de 130 a 144 pontos
Acima da média – de 115 a 129 pontos
Média alta – de 100 a 114 pontos
Média baixa – de 85 a 99 pontos
Abaixo da média – de 70 a 84 pontos
Baixo – de 55 a 69 pontos
Muito baixo – menos de 55 pontos

Fonte: https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/08/03/brasileiro-de-5-anos-de-idade-entra-em-clube-internacional-de-genios.htm